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Camille Lima
Camille Lima
Repórter no Seu Dinheiro. Estudante de Jornalismo na Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS). Já passou pela redação do TradeMap.
BATEU ARREPENDIMENTO?

Pesou no bolso? Elon Musk volta atrás nos ataques a anunciantes do X — meses após mandar as empresas irem se f****

Para analistas do mercado, o tom mais brando do bilionário sinaliza o primeiro passo em direção à tentativa de reconquistar o dinheiro publicitário para a plataforma

Camille Lima
Camille Lima
19 de junho de 2024
17:45 - atualizado às 15:50
O bilionário Elon Musk
O bilionário Elon Musk - Imagem: Shutterstock

O arrependimento parece ter tomado a cabeça de Elon Musk nesta quarta-feira (19) enquanto a situação pesa no bolso. Meses após ter mandado anunciantes do X “irem se f****”, o bilionário decidiu recuar nos ataques a empresas de publicidade durante a conferência anual Cannes Lions.

“Em primeiro lugar, não foi para os anunciantes como um todo. Foi no que diz respeito à liberdade de expressão”, disse o dono do X, enquanto enfrenta problemas como a incessante perda de receitas na plataforma de mídia social.

As falas de Musk seguiram o questionamento do CEO da WPP, Mark Read, durante o evento. Read perguntou o que ele quis dizer quando insultou os anunciantes que ameaçaram retirar anúncios da plataforma no final do ano passado.

Relembrando, em novembro de 2023, o executivo criticou anunciantes que estavam boicotando o X por questões de antissemitismo e outros discursos de ódio na plataforma.

Nesta manhã, o presidente da Tesla afirmou que o objetivo naquela época era falar sobre a liberdade de expressão no X, e não tecer comentários à indústria publicitária em geral.

"É importante ter uma plataforma global de liberdade de expressão onde pessoas com uma ampla gama de opiniões possam expressar os seus pontos de vista. Em alguns casos, houve anunciantes que insistiram na censura”, afirmou.

“Vamos apoiar a liberdade de expressão em vez de concordarmos em ser censurados por dinheiro, o que considero ser a decisão moral correta”, acrescentou.

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Os problemas de Elon Musk com o finado Twitter

Para analistas do mercado, o tom mais brando do dono do X, ex-Twitter, sinaliza o primeiro passo em direção à tentativa de reconquistar o dinheiro publicitário para a plataforma de mídia digital.

Afinal, o futuro do X é uma das grandes preocupações das marcas globais atualmente — e ainda é considerado um dos principais riscos ao futuro do império de Elon Musk

Desde que o bilionário adquiriu a rede social no ano passado por US$ 44 bilhões, a plataforma de mídia social perdeu mais da metade de seu valor de mercado.

A rede social enfrenta diversas críticas de usuários às alterações na plataforma, como a flexibilização na moderação de conteúdos, a adoção da assinatura paga e a revisão do sistema de verificação de identidade, que levaram ao aumento de perfis falsos e robôs na plataforma.

Vale lembrar que a empresa teve que enxugar o quadro de funcionários em cerca de 80% para equilibrar as contas, uma vez que perdeu boa parte dos patrocínios, que eram uma das maiores fontes de receita do Twitter.

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As receitas com publicidade despencaram em 2023. Segundo um relatório da Vox, mais da metade dos mil principais anunciantes no Twitter pararam de exibir anúncios na plataforma, especialmente após Musk ter mandado as empresas de publicidade “irem se f****”.

Na época, o bilionário da tecnologia disse que os anunciantes que ameaçavam interromper os gastos com anúncios na plataforma deveriam simplesmente parar de anunciar no X.

“Não anuncie”, disse à CNBC. “Se alguém vai tentar me chantagear com publicidade? Me chantagear com dinheiro? Vá se f****.”

Desde então, pelo menos metade dos 100 maiores anunciantes do X, como Coca-Cola, General Motors e Heineken, ou diminuíram os patrocínios ou pararam totalmente de anunciar na plataforma.

Vale lembrar que o X compete com outros gigantes de mídia social, como a Meta, por verbas com publicidade. 

No ano passado, analistas como Vicki Bryan, CEO da empresa de pesquisas Bond Angle, disseram suspeitar que o Twitter estivesse queimando caixa e gastando muito mais do que era capaz de gerar ou até mesmo de pedir emprestado.

*Com informações de CNBC e Axios.

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