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Larissa Vitória
Larissa Vitória
É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).
PRÉVIA OPERACIONAL

MRV (MRVE3) quebra recorde de vendas no Brasil, mas ainda queima milhões em caixa nos EUA

Na Resia, incorporadora norte-americana da MRV, há uma regra de ouro: não queimar caixa em 2024. Mas a diretriz ainda não foi refletida nos resultados do 1T24

Larissa Vitória
Larissa Vitória
15 de abril de 2024
18:33 - atualizado às 18:50
Foto da sede da MRV (MRVE3) em Minas Gerais
Imagem: Rodrigo Gomes/Divulgação

A MRV (MRVE3) já disse que nunca houve um cenário tão benigno para o Minha Casa Minha Vida (MCMV). Mas será que as condições turbinadas do programa habitacional se refletiram no resultado da companhia no primeiro trimestre deste ano?

O balanço que pode responder a essa pergunta só será publicado no mês que vem. No entanto, já é possível encontrar algumas pistas na prévia operacional, publicada nesta segunda-feira (15).

A MRV Incorporação, por exemplo, que inclui o braço do grupo que atua com o MCMV, registrou forte alta nos lançamentos do 1T23. O Valor Geral de Vendas (VGV) reportado foi de quase R$ 1,6 bilhão, um salto de 150,4% ante o mesmo período do ano passado.

As vendas da divisão tiveram um crescimento mais sutil, de 18%, na mesma base de comparação. Mas o percentual foi o suficiente para garantir um número recorde na história da MRV: R$ 2,13 bilhões.

Por outro lado, a geração de caixa da incorporação voltou a ficar negativa em R$ 18,6 milhões. A cifra é menor do que os R$ 120,8 milhões de queima reportados no 1T23, mas contraria os R$ 130,8 milhões gerados no último trimestre do ano passado.

De acordo com a MRV, o indicador foi afetado pela alta velocidade de venda dos lançamentos dos últimos meses, o desembolso de R$ 250 milhões com terrenos e um repasse de R$ 76 milhões represados pela nova regra de pagamento para o crédito associativo.

Resia queima R$ 274,9 milhões em caixa

Vale relembrar que, no mês passado, a MRV anunciou novas projeções para este ano. A Resia, incorporadora norte-americana, tem uma regra de ouro: não queimar caixa em 2024.

“Não irá capital da MRV Brasil para a Resia e a expectativa é gerar caixa neste ano. Essa companhia terá muito valor para capturar quando começar a queda de juros dos EUA”, afirmou, na ocasião, Rafael Menin, copresidente do grupo.

Mas a diretriz ainda não foi refletida nos resultados do 1T24. De acordo com a prévia, a Resia queimou R$ 274,9 milhões no período. O valor representa uma redução ante os R$ 578,4 milhões reportados no início de 2023, mas equivale a uma piora de 584,2% ante o 4T23.

A maior parte da soma, ou R$ 209,3 milhões, serviu ao financiamento dos projetos. Os R$ 65,7 milhões destinaram-se a gastos com a holding e demais desembolsos. Segundo a MRV, a operação já foi "recalibrada, assegurando a geração de caixa em 2024".

A subsidiária norte-americana também não registrou lançamentos ou vendas no período. A companhia afirma, porém, que a incorporadora segue apresentando "boa velocidade de locação".

Os destaques positivos da MRV (MRVE3)

De volta ao Brasil, a MRV destacou alguns dos indicadores que indicam que o processo de recuperação da companhia está em curso. Um deles é a margem bruta das novas vendas, que é a mais alta dos últimos sete anos.

Outro ponto positivo é que os preços seguiram subindo acima da inflação — o ticket médio cresceu 13,7% ante o 1T23, para R$ 248 mil.

Além disso, 45% dos lançamentos foram destinados ao grupo 1 do Minha Casa Minha Vida, faixa beneficiada pelos duas últimas novidades do programa habitacional.

Vale relembrar que a Receita Federal publicou no início do mês passado a instrução normativa para o Regime Especial de Tributação para Incorporações Imobiliárias do MCMV.

O chamado RET1 prevê que a receita proveniente das unidades vendidas na faixa um do programa habitacional — para consumidores com renda de até R$ 2.640 — tenha uma alíquota efetiva de imposto de apenas 1%. 

Já o Conselho Curador do FGTS aprovou no final do mês o uso de depósitos futuros do fundo de garantia para os financiamentos do Minha Casa Minha Vida. E a Caixa Econômica Federal começou a oferecer as  linhas de crédito do FGTS Futuro na semana passada.

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