🔴 É HOJE! COMO BUSCAR ATÉ R$ 2 MIL DE RENDA EXTRA TODO OS DIAS – CONHEÇA A ESTRATÉGIA

Tony Volpon: E se a inflação superar a meta do Fed? Precificando o “no landing” dos juros nos Estados Unidos

O Fed sinalizou três cortes de juros de 0.25% neste ano. Mas, como em 2023, vale a pena perguntar: e se o esperado não acontecer?

1 de abril de 2024
20:01 - atualizado às 18:04
Montagem mostrando uma nota de dólar rasgada ao centro, com a palavra "inflation" grifada; representa a luta do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) para controlar a inflação do país
Imagem: Shutterstock

Como já defendi aqui, muitas vezes a coisa mais importante nos mercados foi aquilo que não aconteceu. No ano passado, o fato de não ter havido uma recessão nos Estados Unidos depois de um dos ciclos mais agressivos de alta de juros (e bastante tardio).  

Com a melhora na inflação, o Federal Reserve levou o mercado, a partir da reunião dovish de dezembro, a precificar entre cinco e seis cortes de juros neste ano, o que impulsionou os mercados de risco.

De lá para cá, uma sequência de dados mais salgados de inflação tem levado o mercado a diminuir essa expectativa, que hoje casa com o que o Fed sinalizou nos dot plots já em dezembro, de três cortes de juros de 0.25% neste ano.

Esse ajuste de expectativa não tem impactado negativamente os mercados de risco, ainda sobre a influência positiva da temática (ou bolha) da inteligência artificial. Assim podemos dizer que apesar desse ajuste o mercado – seguindo o Fed – ainda aposta em um cenário macro com um “pouso suave”.

  • [Evento online e 100% gratuito] Luis Stuhlberger, Daniel Goldberg, Marcos Troyjo e outros grandes economistas e gestores debatem cenário macro e oportunidades de investimentos; saiba como participar

E se o esperado não acontecer nos juros americanos?

Mas, como em 2023, vale a pena perguntar: e se o esperado não acontecer?

Jason Furman, ex-membro da equipe econômica de Obama e hoje professor na Harvard, fez uma interessante e correta observação na plataforma X (estou parafraseando): “O Fed nos últimos 12 anos tem feito um bom trabalho ajustando a política de juros e compra de ativos; mas tem feito um péssimo trabalho projetando o nível de juros futuro”. Ele advoga que o Fed simplesmente abandone qualquer tentativa de forward guidance.

Ele está certo. Basta lembrar o desastre que foi a tese da inflação “transitória”, quando o Fed no final de 2021 estava prevendo a volta da inflação para 2% sem alta de juros.

Em sua defesa, Powell & Co. repetem que os dot plots são projeções do momento, e não nenhum tipo de forward guidance, mas essa explicação é para lá de ingênua: se os dot plots não têm nenhuma importância para sinalizar intenção, por que publicá-los?

Mas colocando de lado o debate sobre a utilidade real dessas projeções, temos que manter em mente que o Fed de fato basicamente tem “feito a coisa certa” – se com algum atraso – e nunca sentiu nenhum constrangimento em jogar no lixo suas projeções.

Assim não devemos levar muito a sério a sinalização do início do ciclo de corte de juros na reunião de junho.

Powell – que falou na sexta-feira da Páscoa apesar do feriado e depois da divulgação do PCE – tem de forma consistente projetado otimismo com a tese do soft landing, mas com o “porém” de que o comitê tem que ter mais confiança que a inflação de fato está em rota de convergência para a meta de 2% antes de cortar o fed funds.

  • LEIA TAMBÉM: Casa de análise libera carteira gratuita de ações americanas pra você buscar lucros dolarizados em 2024. Clique aqui e acesse.

E como vai a inflação?

Vou abusar do Jason Furman mais uma vez, utilizando um resumo que ele faz da média de várias maneiras de mensurar a inflação CPI (cheia, núcleos, média aparada, etc) ajustada à métrica do PCE (que é a meta formal do Fed).

Essas médias (todas anualizadas) são de 4,1% no último mês, 3,4% em três meses, 2,5% em seis meses, e 2,5% em 12 meses.

Bom, não me parece que esses dados sugerem processo de convergência para 2%...

Mas os otimistas têm vários argumentos. Podemos estar vendo um fenômeno sazonal (inclusive um mau ajuste sazonal pós-pandemia). Algo similar aconteceu no início de 2023. E devemos em breve ver forte queda no item de aluguel (de fato o núcleo anualizado de um mês “ex-aluguéis e carros usados” foi de somente 1,5%).

Ok, mas devemos ter cuidado com cortes cada vez mais finos da cesta de inflação para chegar à conclusão desejada – se fez exatamente isso durante a alta da inflação entre 2021 e 2022 para justificar a furada tese da inflação “transitória”.

O que mais apoia a tese de que a inflação talvez não esteja de fato em rota de convergência? Talvez os mesmos fatores que ajudaram a causar o “não evento” esperado de 2023: uma política fiscal e condições financeiras expansionistas.

Vamos aos números. O índice de condições financeiras do Fed de Chicago – depois de um forte aperto entre o início de 2022 e o meio de 2023 – tem mostrado condições favoráveis à atividade econômica desde então, e hoje se encontra no mesmo patamar expansionista visto no início de 2022.

O déficit primário em 2023 foi de 5,5% do PIB, e o FMI projeta 4,3% para este ano. Isso com a economia em pleno emprego com o PIB rodando acima do seu potencial.

O tal do "no landing"

Assim, um cenário de no landing – onde a inflação se estabilize acima da meta do Fed – não parece algo tão improvável. Os mesmos fatores que impediram a recessão de ocorrer em 2023 podem impedir a convergência da inflação em 2024. Aqui no Brasil conhecemos bem o que acontece quando a política fiscal está com o pé no acelerador e a monetária no freio.

Talvez os últimos dados de inflação sejam uma mera corcova, mas, se não, o Fed deve continuar a jogar para frente a data do início do ciclo de queda.

Dada a força dos mercados, postergar o início do ciclo de queda não deve apresentar grandes problemas. Com a economia indo bem, Powell sinaliza ter grande paciência.

O risco, porém, está no desconhecido.  

Até se o Fed tem como jogo velado aceitar uma inflação mais alta pelo período necessário (com uma postura assimétrica de cortar juros se a economia inesperadamente enfraquecer) é possível também haver um cenário onde algum choque inflacionário (provavelmente por um evento geopolítico) gere uma alta da inflação que o Fed não vai conseguir ignorar, colocando novos aumentos de juros na mesa.

Neste caso, apesar de toda a vontade de ver o copo meio cheio, os mercados de risco, que já mostram sinais de cansaço e valuations bastante esticados, não terão como não reagir negativamente.

Vejo isso como o cenário de risco, e não o cenário base. Até ocorrer um choque dessa natureza, o mercado e o Fed continuarão a jogar um “me engana que eu gosto”. Assim continuo (cinicamente) comprado, se hoje bem mais preocupado.

*Tony Volpon é economista e ex-diretor do Banco Central

Compartilhe

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Informação exclusiva, últimos dias para declarar o IR 2024 e dólar nas alturas na Argentina — confira as notícias mais lidas da semana no Seu Dinheiro

25 de maio de 2024 - 9:21

A posse da nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard, a ata do Fed e a aprovação do ETF do ethereum nos Estados Unidos mexeram com os mercados, mas não brilharam sozinhas

Especial de IR

Fui MEI por um ano, mas não entreguei a declaração de imposto de renda de pessoa física. Posso vir a ter problemas?

25 de maio de 2024 - 7:46

Ela deixou de entregar a declaração de imposto de renda como pessoa física no ano em que trabalhou como MEI, mas pode ter cometido um erro…

SEXTOU COM O RUY

O investimento secreto de Warren Buffett: aprenda a aplicar a mesma estratégia para ganhar dinheiro no Brasil

24 de maio de 2024 - 9:01

Aposta mais recente de Warren Buffett aparecia na SEC como confidencial, o que gerou muita curiosidade entre os investidores

O MELHOR DO SEU DINHEIRO

Adagio ma non troppo: Com Ibovespa em marcha lenta, Wall Street anima os mercados; confira o que movimenta as bolsas hoje

24 de maio de 2024 - 8:50

Caminhos dos juros nos EUA e Brasil voltam a preocupar investidores; balanço da Americanas adiado, novo CEO da Vale e aprovação do ETF de ethereum agitam as bolsas nesta sexta-feira

INSIGHTS ASSIMÉTRICOS

O problema dos 3%: como a desancoragem das expectativas atrapalha a queda dos juros no Brasil

24 de maio de 2024 - 6:34

O ministro Fernando Haddad considera a meta de inflação de 3% praticamente inalcançável, o que eleva ansiedade quanto a uma possível revisão

EXILE ON WALL STREET

Rodolfo Amstalden: Você leu o que o Fed escreveu para você?

22 de maio de 2024 - 20:05

O segredo para uma jornada de sucesso como investidor ou como empreendedor começa com algo bem simples… a leitura.

CRYPTO INSIGHTS

O mercado de criptomoedas está influenciando as eleições nos EUA? O que o ETF de ethereum (ETH) tem a ver com a política americana

21 de maio de 2024 - 20:05

Nesta semana uma votação crucial está prevista para acontecer em Washington e pode remodelar o panorama regulatório para os ativos digitais nos Estados Unidos

EXILE ON WALL STREET

Felipe Miranda: Dez anos de “O Fim do Brasil”

20 de maio de 2024 - 20:01

Dez anos de lançamento de “O Fim do Brasil” e, afinal, a que fim chegou a economia do Brasil? Estamos em queda livre em direção ao pior?

Especial IR

Me mudei para Portugal, mas não entreguei a Declaração de Saída Definitiva do País; como regularizar a situação?

18 de maio de 2024 - 8:00

Documento serve para encerrar as obrigações fiscais do contribuinte no Brasil, mas este leitor não a entregou e agora recebeu uma herança

SEXTOU COM O RUY

A Petrobras (PETR4) desabou mais uma vez: surge uma barganha na bolsa com dividendos bilionários?

17 de maio de 2024 - 6:04

Nas últimas várias trocas no comando da Petrobras, não tivemos grandes mudanças no dia a dia da companhia, o que inclusive permitiu ótimos pagamentos de dividendos nos últimos anos, mesmo com CEOs distintos — será que agora também vai ser assim?

Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Continuar e fechar